Três estados brasileiros se unem a movimento global de preservação dos manguezais

Novos compromissos ajudam a proteger a maior faixa contínua de manguezais do planeta. Matéria gerada por CLIMAINFO - Juliana Aguilera

Três estados brasileiros se unem a movimento global de preservação dos manguezais
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os governos do Pará, Pernambuco e Sergipe aderiram ao movimento global do “Mangrove Breakthrough”, se comprometendo a colocar um dos ecossistemas mais importantes para o combate às mudanças climáticas no centro da construção da resiliência das comunidades. Além deles, a cidade de Aracajú também aderiu ao movimento. Para Monique Galvão, diretora executiva da Rare Brasil, organização parceira do Mangrove Breakthrough, a adesão dos estados e de Aracaju é um passo simbólico e estratégico. “A participação desses governos fortalece os esforços de conservação das áreas já protegidas e amplia o olhar para a restauração em regiões do Nordeste, Sul e Sudeste, onde os manguezais sofrem maior pressão”, afirma, destacando que outros estados e municípios estão no radar para futura adesão ao movimento. O Mangrove Breakthrough foi criado na COP27, em 2022, como parte da parte da Agenda de Adaptação de Sharm El-Sheikh. O movimento tem como meta mobilizar US$ 4 bilhões (R$ 21 bilhões) para conservar e restaurar 15 milhões de hectares de manguezais até 2030, estimulando a colaboração entre diversos setores, como governos locais, comunidades, organizações e empresas privadas. Em junho deste ano, o governo brasileiro já havia endossado o movimento durante a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC). A inserção ao Mangrove Breakthrough possibilita a conexão de estados e municípios a uma rede global de atores comprometidos com a conservação dos manguezais. “Essa inserção catalisa novas oportunidades — desde a troca de experiências e o fortalecimento de capacidades locais até a criação de caminhos concretos para acessar financiamento climático”, explica Monique. “O Brasil é um país com uma grande extensão de manguezais, sendo o quarto maior país em área de manguezais do mundo. A conservação e a restauração deste ecossistema são uma das soluções climáticas mais eficazes e acessíveis que temos”, afirma Ignace Beguin Billecocq, diretor executivo do Mangrove Breakthrough Hub”. Ecossistemas marinhos podem ajudar a reduzir em 21% as emissões de gases-estufa, aponta o Observatório do Clima (OC). Manguezais são conhecidos como “florestas de carbono azul” pela sua capacidade de captura de três a cinco vezes mais carbono por hectare do que a Floresta Amazônia, afirma o professor do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), Tiago Osório Ferreira, no Jornal da USP. “Além disso, os manguezais oferecem diversos outros serviços ecossistêmicos, como a proteção costeira contra a erosão e a provisão de habitats para diversas espécies marinhas”, destaca. Ferreira lidera o projeto BlueShore – Florestas de Carbono Azul para mitigação de mudanças climáticas offshore, que busca entender o potencial de captura de carbono dos manguezais brasileiros. O ecossistema também tem importância socioeconômica, sendo geração de fonte de renda para diversas comunidades. Somando seus serviços ecossistêmicos, os manguezais representam mais de US$ 90 mil (R$ 479 mil) por hectare por ano. Apesar de sua importância, os manguezais estão sofrendo degradação com a mudança do uso da terra, seja para construção de tanques de camarões, seja para pastagem. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a mudança na extensão do ecossistema está ligada diretamente ao impacto de mais de mil espécies, como aves, peixes, plantas, mamíferos, répteis e anfíbios. A Lista Vermelha de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) destaca que metade dos manguezais do mundo correm o risco de colapsar até 2050. COP30 O “Mangrove Breakthrough” estará presente na COP30. O destaque será para o dia 11, no qual o movimento fará um balanço do progresso alcançado coletivamente nos últimos anos. “Divulgaremos o progresso em termos do montante mobilizado para a restauração e proteção de manguezais”, afirma Billecocq. O movimento também fará balanço do número de países que incluíram objetivos concretos e ambiciosos para os manguezais em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O tema conservação dos manguezais deve ter protagonismo na COP30. Como g1 e Veja mostram, será lançado na Conferência uma proposta inédita de Salvaguardas Socioambientais para os manguezais. O documento reúne 80 representantes de diversas regiões costeiras e marinhas do Brasil e traz diretrizes para garantir que projetos de restauração deste ecossistema não reproduzam injustiças históricas. As salvaguardas possuem diretrizes mínimas para todo o ciclo de projetos, desde a concepção até a comercialização dos créditos, com caráter vinculante.

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